19.1.14

Cadáver delicado III

O despejo automático do céu sobrevoa chamas
Do náufrago sem ilha em áurea página fundeado, em vão perdido,
Um bocado de mar, um pedaço de trilha jogado no espaço,
Trutas, vôngoles e chimpanzés, irradiando a música das esferas.


E o azul que procede, que procede longínquo do forro do fim
Mais quente que os corredores e salões do rei babilônio, banhados de sol
E de sanha, onde o sonho só não basta:
Aqui, antes da batalha, repousam as trevas cordiais.


Os clarins atravessam os latidos dispersos pela noite
Bronzes de orquestra ecoando surdamente como tiros
Como tiros surdamente ecoando, bronzes de orquestra
Varèse perdido entre Alexandria e a Europa com seus pequenos grilos crocantes.


Farelos pedalaram o urro da alvorada
Urnas gregas derramaram versos soluçando medalhas
Repousadas silentemente em peitos hirsutos, casas de falhas,
Falésias falecendo, o rio indo dar ao mar.

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