1.8.13

cadáver delicado II

ó âmbar espesso da mente escrita
teus gigantes corroem as pêras das luzes frescas
o fresco da rosa decai em laranja ao permanecer
despetalá-la faz-se dever perene.

carne de baile ergue-se em direção ao chão
fulminando copos no trovoar da alvorada
as flores arrastam
novas estrelas cintilam.

fúnebres cravos furam cérebros de pirilampo
e as toscas torres do sucesso desaparecem engolidas por esculturas
um bispo avança sobre um cavalo
e o xeque mate resplandece em toda parte

cruzes cegas em toda parte estilhaçam feitas de parto
ressoam nos olhos carcomidos do que cedo em tufos de espanto

Um comentário:

  1. Capricharam nas imagens! Esse cadáver está mais colorido: âmbar, rosa, laranja. E talvez um pouco mais mórbido (carne de baile, fúnebres cravos). Ficou um cadáver romântico (do movimento literário mesmo). As três primeiras estrofes parecem direcionar a sensibilidade para um choque de elementos - o resultado do impacto é um par de versos que mostram menos respeito ainda pela linearidade do pensamento e exploram com mais violência a possibilidade de abstração... Onde mais isso pode chegar?!!!

    Érico Marin

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