5.11.12


te entrega de copo e alma para o uísque, teu companheiro que não endurece, e olha no fundo dos olhos de que todos os outros vão se esquivar, por fuga e pela falta do que realmente encontrar. e que de copo e alma podes te entregar à loucura, a tua própria, e a de teu pai, e a que bebes, e me encontras de madrugada, camarada, que és tu mesmo que sou, sem meios ou rodeios mas com a poesia do teu tempo cujas cidades têm ruas estreitas demais para que caibam teus sonhos e teus toques na pele e nos cabelos que não ousaste encontrar porque tens medo, de tocar nos cabelos de cor âmbar, a mesma que derramas no corpo sem dúvidas de que a tens e de que por ela farás de tudo por ainda fazer no mundo e no teu tempo de amar e no senso de realizar as estrelas na sua última prece por tocar um ritmo que todos dancem e saibam dançar, lento que seja, e o sereno descendo no mundo e na calada dos amantes que já disseram tudo e mesmo assim querem ainda do passo por dizer mesmo tampouco tempo tenham encontrado, e que é o ritmo da falta de passos que tu sentes e que ela não tem ainda. às vezes importa, e ela não chegou no teu ritmo, mas que chegará em breve tão mais forte quanto mais cerrada e dura for a tua luta pelo encontro, que é a luta exata contra o desencontro e a perda dela em meio às distrações e às perdas que matam todo dia os segredos mais amargos dela perante todos, e seus parentes. faz de mim o sacerdote do grito, da redenção do que não queres, que teu desespero de ébrio é um grito que não tem eco, mas que vai resvalar em quem precisa ouvir e quem precisa que te ame sem condição, sem que sabe que tudo de que precisas é amor, e o amor é tudo de que se pode precisar.

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