22.10.13

Soneto Português

p/ Manoel Joaquim Felgueiras


Manoel, o matinado em Trás-os-Montes,
Não leu Camões. Mário de Sá-Carneiro
Tampouco. Fernando, avistou de longe,
No Porto; ou era um outro passageiro?

Foi-se o semianalfabeto a São Paulo.
Não leu Drummond. João Cabral de Melo
Tampouco. Um dia trombou com Oswaldo
No Centro; ou foi contra outro tal duelo?

Naquela triste e leda madrugada,
Desceu-se todo, em vão, sem nada achar.
Esteve só com a treva e a voz do nada.

A festa acabara, o povo sumira.
Hoje, cão vivo sob a minha pele,
Dá-me a poesia. De cada dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário