5.6.13

cadáver delicado 1

estrela pisca cu incandescente
montes de azuis reverberam num cosmo entrópico partido
e os astros fundem seu leite aos seios da criação
e os freios ofendem metais que jamais serão.

o gosto de sangue nos olhos da mãe desvelada
a banheira recebe o crime com a devoção dos amantes
as luzes trafegam pelos azulejos feito dardos iluminando nervos
enquanto no luto interminável de trafalgar reinam cegos os corvos.

em terra de pardo, o povo é que tem olhos
em casa de ferreiro as crianças se enforcam com lençóis
as lantejoulas povoam paraquedas quando escorre o sangue
e as borboletas lampejam com o emudecer do sono, quando tinge e morre

Um comentário:

  1. Esse cadáver delicado, apesar de escrito a oito mãos tem uma unidade curiosa... tanto temática quanto estrutural. Mensagens abissais, que se precipitam com uma delicadeza bizarra. Provável descrição de um estado de espírito compartilhado pelos eu líricos(!) do poema. Todas as imagens chamam a atenção, mas gostaria de destacar duas (gosto pessoal): "as luzes trafegam pelos azulejos feito dardos iluminando nervos" e "as lantejoulas povoam paraquedas quando escorre o sangue".

    Érico

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