estrela pisca cu incandescente
montes de azuis reverberam num cosmo
entrópico partido
e os astros fundem seu leite aos seios da
criação
e os freios ofendem metais que jamais
serão.
o gosto de sangue nos olhos da mãe
desvelada
a banheira recebe o crime com a devoção
dos amantes
as luzes trafegam pelos azulejos feito
dardos iluminando nervos
enquanto no luto interminável de
trafalgar reinam cegos os corvos.
em terra de pardo, o povo é que tem olhos
em casa de ferreiro as crianças se enforcam
com lençóis
as lantejoulas povoam paraquedas quando
escorre o sangue
e as borboletas lampejam com o emudecer
do sono, quando tinge e morre
Esse cadáver delicado, apesar de escrito a oito mãos tem uma unidade curiosa... tanto temática quanto estrutural. Mensagens abissais, que se precipitam com uma delicadeza bizarra. Provável descrição de um estado de espírito compartilhado pelos eu líricos(!) do poema. Todas as imagens chamam a atenção, mas gostaria de destacar duas (gosto pessoal): "as luzes trafegam pelos azulejos feito dardos iluminando nervos" e "as lantejoulas povoam paraquedas quando escorre o sangue".
ResponderExcluirÉrico