Em
uma noite fogosa de assembléia de estrelas, um arquiteto teimava em pensar no
projeto de um lugar que fosse tudo.
De
tanto gasto encefálico, uma hora suas pálpebras cansaram e desistiram.
Dormiu.
Sonhou
respostas. Pelas paredes de seus sonhos também elevaram-se as paredes de seu
projeto, aquele lugar que seria todos.
Aos
pouquinhos ele ia construindo, com argamassa onírica, um grande museu de Nada.
Um
concreto branco começou, então, a se erguer e a correr lateralmente por todas
as vias em todas as dimensões. Fazia uma luz negativa de drama, e que enudecia
e emudecia todas as cores.
Caminhando
como uma idéia, o arquiteto em seu sonho se escutava:
– No Nada encontro o Tudo. Assim como no cheio das cidades vejo pelos cantos um
oco que desponta, nesse vazio do museu também vejo uma negação, uma luz que é
repleta! Sim, sim! A luz das idéias que é repletamente infinita, e que se
propaga num espaço vazio infinitamente preenchível, a mente.
Assim
seguiu, erigindo o seu projeto com extrema felicidade. Pois, nesse grande museu
de Nada, os olhos de quem vê é que são o objeto exposto. E então flui-se rumo a
si, e os eventuais quadros e esculturas suscitados rapidamente e logo em
seguida deletados são o desfile de idéias esporádicas.
O
arquiteto acordou num lampejo.
Olhou
ao redor.
Sentiu-se
oco no calor da noite que tombava em estrelas pela janela aberta. Concluiu que
sempre tivera em mãos, prontinho, erigido e resistente, o projeto que sonhava
em concretizar. Porque aquele grande lugar que é todos, o museu do Nada, sempre
estivera construído em forma de inteligência na sua própria cabeça.
exercício de destilação
ResponderExcluir