Surpreendeu-se com a avenida se abrindo tão vasta sob os seus pés; ao mesmo tempo não era nem um pouco fatigante caminhar por ela, pois guiava-se pelas estrelas que, ao aproximar-se, eram os postes, e os letreiros luminosos, e a avenida inteira era uma flor de acrílico e cores de neon alimentadas pela energia do sol e dos passos que tinha que dar para que não se fechasse; não podia parar, pois durante a noite não havia sol, só os passos, os seus e os dela, e os pés delicadamente deitando no chão cada pétala da avenida e revelando novas cores, novas luzes, novos caminhos. Gostava tanto das estrelas de neon, e gostava tanto dela, mas vez ou outra sua estrela favorita acabava mesmo sendo o sol, fosse vermelho, fosse cor de tangerina madura, fosse da cor dela, que tinha cor de tamarindo. Fotossíntese, a energia que iluminava a avenida era então energia luminosa, vinda do sol, da convulsão de seus átomos de hidrogênio, energia nuclear, então a energia que enchia de sumo todas as frutas do planeta e abria todas as flores, inclusive ela, era fusão de hidrogênio. Mas havia também os passos que abriam a avenida, energia mecânica, vinha de seus corpos, do calor dos músculos, do ritmo cardíaco, e seu coração batia mais intensamente quando estava com ela. Ela era então a origem da energia, a causa dos passos, do abrir das flores e da avenida, da madurez dos frutos, era estrela, convulsão, síntese, sol.
esse é, talvez, o pedaço de literatura mais saboroso que já li sobre minha terra e meu céu feitos de pedra, parindo energia, ruídos e janelas sem fim
ResponderExcluirvitaminico
ResponderExcluirela é uma alchimista
deb