Cabisbaixo e sem caminho, o homem de sobrecasaca arrastava o corpo pela avenida São Luís.
As flores nos canteiros largos lhe desdenhavam a aparência de derrotado, pobre e triste.
Deixava o silêncio da avenida para trás, sob a sola de seus passos. Também ele desprezava as flores: aquelas, nenhum tédio furaram. Morreriam sem pensar, invisíveis aos olhos de todos.
A poça que pisava, lembrança do tempo, também ia morrendo, perdida, sem nada para se tornar. Posta assim, deitada ao chão, era quase nula. A poça, as flores, o homem encolhido dentro da sobrecasaca, apenas cascas cobrindo uma imensa noite silenciosa.
Parou. Alguma coisa batia.
Fraco e devagar ouviu que algo cortava o silêncio escuro do imenso.
- Tum… tum…
Procurou no asfalto, nas pedras. No meio da calçada alguns pedaços de vidro ainda pulsavam de sua queda. Vermelhos, quebrados, mas vibravam, definhando… até que o silêncio foi restabelecido. Por um momento, a noite tremeu.
O homem de sobrecasaca rezou de joelhos, aos prantos, nos degraus da Igreja da Consolação.
Mas nada ouviu: aquele Deus não respondia, inerte sob a pele densa das coisas.
Enfim foi escrever. As palavras poderiam romper o silêncio como os restos partidos, bater contra o muro, gritar contra o céu, virar do avesso. O homem, mudo, faria o mundo falar.
As flores nos canteiros largos lhe desdenhavam a aparência de derrotado, pobre e triste.
Deixava o silêncio da avenida para trás, sob a sola de seus passos. Também ele desprezava as flores: aquelas, nenhum tédio furaram. Morreriam sem pensar, invisíveis aos olhos de todos.
A poça que pisava, lembrança do tempo, também ia morrendo, perdida, sem nada para se tornar. Posta assim, deitada ao chão, era quase nula. A poça, as flores, o homem encolhido dentro da sobrecasaca, apenas cascas cobrindo uma imensa noite silenciosa.
Parou. Alguma coisa batia.
Fraco e devagar ouviu que algo cortava o silêncio escuro do imenso.
- Tum… tum…
Procurou no asfalto, nas pedras. No meio da calçada alguns pedaços de vidro ainda pulsavam de sua queda. Vermelhos, quebrados, mas vibravam, definhando… até que o silêncio foi restabelecido. Por um momento, a noite tremeu.
O homem de sobrecasaca rezou de joelhos, aos prantos, nos degraus da Igreja da Consolação.
Mas nada ouviu: aquele Deus não respondia, inerte sob a pele densa das coisas.
Enfim foi escrever. As palavras poderiam romper o silêncio como os restos partidos, bater contra o muro, gritar contra o céu, virar do avesso. O homem, mudo, faria o mundo falar.
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