Trânsito
Lou, pequenino, não
há mais tempo.
Os jornais falarão
de ti amanhã. Ninguém
os lerá. Teus
pobres-diabos, que vieram do campo,
agora pendulam entre
o céu e o lado selvagem.
Continues a cantar,
embora não saibas para quem.
Lou, pequenino, não
há mais canto.
Nós ainda adoramos
ver as coisas na tevê.
O que nos espelha? A
androginia? O desencanto?
Cânticos gris? As imagens que só a treva revê.
Olho nu que alucina
como Eros diante de Psiquê.
Lou, pequenino, não
há mais jogo.
Os miseráveis se
agasalham em seus próprios abraços.
Nas esquinas, aos
passantes, as putas pedem fogo.
Filas para os
coletivos. Caçadores de cabaços.
O respirar álgido da
noite nos cachaços.
Lou, pequenino, não
há mais como.
Os jornais não
falavam de ti ontem. Ninguém
ouve tuas músicas.
Quem nos ofertou este pomo?
Dançaremos até que
nossas ínvias vertigens minguem.
Continues a cantar,
embora não saibas para quem.
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