Ao
florescer,
sou
uma pausa.
Recolho
para minha
fala
um silêncio invernal,
como
bochechas na madrugada.
Recolho
para as
pestanas
o espanto pueril para
com
vozes caramelizadas e tijolos.
Recolho
para a
face
a monotonia fresca
do
navegador em mar alto,
sempre
com o mesmo horizonte na borda
do
queixo.
Recolho
para o
corpo
o vazio do alpinista
que
escala pico ante pico, pé com pé, marreta pós marreta
e sem
a consciência de
deixar
incontáveis horas de
passos
perdidos na beirada de
pedras
e o mundo ao fundo.
Ao
florescer,
sou
uma pausa,
sou o
tempo de um fio de barba,
sou
uma saia de frutas num
vento
de oceano,
sou a
perspectiva igualitária
do
sujeito que esvazia os olhos
e
preenche a testa com os recantos
mais
incandescentes do tempo já partido como estilhaços de forças gravitacionais.
Atinjo
serenidade
e gravidade equivalentes a
das
úmidas ruínas
de um
poço
vazio
ainda
vibrando no eco
do
ontem.
Ao
florescer,
sou
uma pausa.
Uma
pausa
sem
som.
essa primeira estrofe, tem uma tal força. sinto um eco de Ungaretti.
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